O jovem Guilherme Pereira, morto junto com a namorada Ana Luiza, após a moto em que estava bater em um poste no bairro de Muçumagro, foi atingido com um tiro na cabeça antes da colisão, é o que revela um laudo da Polícia Civil que o g1 teve acesso com exclusividade nesta terça-feira (22). A Polícia Civil também indiciou um policial militar que, segundo outro documento que reportagem teve acesso, atirou contra a vítima.
Oficialmente a Polícia Civil não divulgou os laudos periciais realizados após a exumação dos corpos dos jovens. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil, por meio da delegada que investiga o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.
A reportagem entrou em contato também com a Polícia Militar, assim como com o advogado de Tiago Almeida Filho, policial militar investigado. A defesa do policial disse que não teve acesso ao documento de indiciamento do cliente e que vai se posicionar quando tiver.
O laudo, assinado por três peritos do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC), aponta que o cadáver de Guilherme apresenta perfuração transfixante no crânio resultante de tiro de arma de fogo, ou seja, o jovem foi atingido com um tiro na cabeça. O documento constatou que a bala entrou pelo lado esquerdo da cabeça da vítima e saiu no lado direito.
Para chegar na conclusão do laudo, os peritos analisaram não somente o corpo do jovem, mas também fizeram análises no capacete utilizado por Guilherme enquanto pilotava a moto. Nessas análises, conforme o documento, houve a constatação de que o capacete também foi perfurado pelo projétil.
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O outro documento que o g1 teve acesso trata-se de um relatório da Polícia Civil, assinado pela delegada Luísa Correia, que indiciou o policial militar pois considerou que a munição que atingiu o jovem era “similiar a utilizada em fuzis” da PMPB.
No mesmo documento de indiciamento, foi informado que policiais militares que participaram da ronda que seguiu a moto dos jovens em novembro de 2024 tiveram pedido protocolado junto ao Comando da Polícia Militar para verificação das armas utilizadas naquele dia. Dois dos policiais disseram, em depoimento para a polícia, que portavam fuzis durante a ação. O documento diz que “o policial efetuou o disparo de arma de fogo que atingiu o jovem na cabeça e provocou a colisão da moto”.
O depoimento dos policiais militares foi colhido pela Polícia Civil e todos os agentes negaram, nos autos, terem atirado contra o jovem, inclusive o que foi indiciado.
O policial militar foi indiciado por duplo homicídio qualificado consumado contra os dois jovens.
Em relação ao laudo de Ana Luiza, a outra jovem que morreu com o acidente, o laudo que a reportagem teve acesso constatou que uma pancada forte na cabeça foi a causa da morte. Conforme o documento, “nenhum elemento de munição ou fragmentos de munição” foram encontrados no corpo da mulher.