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Padre paraibano suspeito de intolerância religiosa por fala sobre Preta Gil firma acordo com MPF e evita ação penal

O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa após declarações durante missa transmitida pela paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba, firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal (MPF) e, com isso, não responderá criminalmente pelo caso. O acordo foi homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage.

Segundo o termo, o sacerdote assinou confissão da conduta, e, caso descumpra as medidas impostas, o documento poderá ser usado como prova em eventual reabertura de ação penal.

A Diocese de Campina Grande foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização.

O que prevê o acordo com o MPF

Para evitar o processo criminal, o padre terá de cumprir uma série de medidas educativas e reparatórias, entre elas:

  • Produzir resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra, de Lívia Santana, e Cultos Afro-Paraibanos, de Valdir Lima;
  • Elaborar resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação;
  • Cumprir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, podendo somar diferentes formações, inclusive na modalidade EAD;
  • Entregar até o fim de junho as três resenhas e comprovar ao menos 20 horas de cursos concluídos;
  • Pagar R$ 4.863 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes;
  • Participar de ato inter-religioso com representantes de diferentes crenças e familiares da cantora Preta Gil, em João Pessoa.

O encontro inter-religioso está previsto para ocorrer na sede do MPF, com a presença de líderes religiosos e convidados ligados à família da artista.

Investigação teve desfechos diferentes

Apesar da repercussão, em novembro a Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito sem indiciar o padre, entendendo que a conduta não se enquadrava em tipo penal. O caso, porém, também passou a ser acompanhado pelo MPF, que optou pelo acordo.

A família de Preta Gil chegou a cobrar retratação pública. O cantor Gilberto Gil notificou extrajudicialmente a Diocese e o padre, e a apresentadora Bela Gil também criticou publicamente as falas.

Entenda o caso

O episódio ocorreu em 27 de julho, durante homilia transmitida ao vivo pela internet. Na ocasião, o padre relacionou a morte da cantora Preta Gil, vítima de câncer colorretal, à fé dela em religiões de matriz afro-indígenas. Assista ao vídeo abaixo.

 Trechos da fala também classificaram essas religiões como práticas “ocultas” e foram considerados ofensivos por entidades religiosas da região.

Após a repercussão negativa, o vídeo foi retirado das plataformas digitais e lideranças de religiões de matriz africana registraram denúncia por intolerância religiosa.

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