O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria negociado R$ 134 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo divulgado pelo site The Intercept. O veículo aponta que pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações bancárias.
Parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações — parceira de empresas ligadas a Vorcaro — para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, segundo reportagem do Intercept.
Foram vazados áudios e mensagens de WhatsApp contando com cronogramas de pagamento, comprovantes bancários e áudios trocados entre os envolvidos. Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro teria escrevido para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
🔎 Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
Pagamentos
Segundo o Intercept, parte dos pagamentos determinados por Vorcaro foi feita por meio de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro. Segundo o site, a empresa é mencionada em mensagens trocadas sobre o tema entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.
A colunista do jornal O Globo Malu Gaspar revelou que registros entregues pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado mostravam que o Master repassou pelo menos R$ 2,3 milhões a essa empresa em 2025, ano em que se deram os repasses de Vorcaro para o filme.
A colunista também ouviu o publicitário Thiago Miranda, identificado pelo Intercept como o responsável por colocar Flávio Bolsonaro e Vorcaro em contato.
À coluna, ele confirmou ter intermediado as negociações para que o banqueiro aportasse R$ 62 milhões na produção cinematográfica. Miranda disse ainda que os repasses foram suspensos com a crise no Master e que a ligação de Vorcaro com o filme não seria pública.
‘Momento dificílimo’
Na mensagem de áudio enviada por Flávio a Vorcaro em 8 de setembro, o senador diz entender que o banqueiro passava por um “momento dificílimo” – poucos dias antes, em 3 de setembro, a compra do Master pelo BRB havia sido rejeitada pelo Banco Central – e que ficava “sem graça” de cobrar, mas pedia uma posição de Vorcaro sobre pagamentos pendentes.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador.
O Intercept mostra contatos frequentes entre Flávio e Vorcaro sobre o tema. Em 22 de outubro, Flávio volta a enviar mensagens a Vorcaro dizendo que estavam “no limite”. No mesmo dia, o senador convida Vorcaro para um jantar com o ator que fazia o papel de Bolsonaro no filme, Jim Caviezel. Vorcaro aceita e propõe que o encontro ocorresse em sua casa, o que é aceito pelo senador.
Muitos dos contatos envolviam ligações telefônicas e mensagens com imagens de visualização única. Em 16 de novembro, após o envio de duas dessas mensagens, Flávio diz:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, ao que Flávio reage: “Amém”.
No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF), enquanto embarcava em Guarulhos. A prisão foi o começo das investigações sobre uma rede que envolve fraudes bilionárias, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma “milícia privada” para intimidar opositores.
As fraudes envolvem operações irregulares e negócios com o BRB (Banco de Brasília), que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.