O julgamento da Ação de Impugnação da candidatura a deputado estadual de Vitor Hugo (MDB), nesta segunda-feira (14), terminou com um debate entre os desembargadores eleitorais Rodrigo Marques e Helena Fialho. No seu voto, o magistrado elogiou a operação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que deixou 120 pessoas mortas.
A desembargadora interrompeu a declaração do colega do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e disse estar “apavorada” com a opinião dele. Para ela, a posição contraria as garantias jurídicas.
“Eu fico abismada, preocupada, quando eu venho com magistrado numa Corte de Justiça. Nós estamos aqui num julgamento que está sendo acompanhado, fazer uma afirmação dessas que todas as pessoas que foram mortas no ato que foi condenado internacionalmente como uma violação de Direitos Humanos, que só morreu bandido, que portanto, dá a entender, que mereciam ter morrido. Eu realmente fico apavorada, eu queria apenas fazer esse comentário que vai ficar, essa gravação vai ficar por uma posteridade. Eu vi esse tipo de comentário e não posso ficar calada”, frisou a desembargadora Helena Fialho.
Rodrigo Marques rebateu a ponderação de Helena Fialho e argumentou que estava fazendo uma comparação entre o avanço das facções criminosas no Rio de Janeiro e em Cabedelo, na Paraíba.
“Me espanta a desembargadora Helena trazer o fato e provas internacionais condenarem uma ação específica, e ficar abismada com um voto que traz uma realidade brasileira. Sou um magistrado com os pés no chão, desembargadora. Eu envergo a toga há 28 anos com os pés no chão. Eu não estou aqui julgando provas internacionais, nem ONGs, nem imprensa, muito menos dando publicidade a garantismo exacerbados. O que eu trago é que Cabedelo virou o Rio de Janeiro, numa proporção menor, e por isso que eu fiz o paralelo”, comparou o juiz.
O debate entre os integrantes da Corte Eleitoral foi interrompido pelo desembargador João Benedito, que presidia a sessão.