A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou nesta terça-feira (1) pela nulidade da investigação ordenada por André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.
As mensagens também indicam proximidade entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Vorcaro (veja abaixo).
Os diálogos estão em um relatório enviado pela PF ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da PGR, agora divulgada.
De acordo com a “piauí”, o repasse de setembro foi feito oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas atrasadas — que, pelo acordo original, podiam alcançar R$ 134 milhões, segundo o Intercept.
Valor pode ser maior
Ainda segundo a “piauí”, o valor repassado por Vorcaro para o filme Dark Horse pode ser maior. A revista teve acesso a um trecho inédito de uma troca de mensagens entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que atuou na captação de recursos para o filme.
Em mensagem ao banqueiro, em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”.
Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”.
Miranda, então, disse: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb [também]”.
A PF diz que não constam outros repasses no informativo financeiro do Coaf. Entrentanto, isso não afasta a possibilidade da transferência ter sido feita nessa data, 22 de outubro, e não ter sido informada ao órgão de fiscalização.
“Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais”, afirma a “piauí”.
Ao chegar ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado pelos jornalistas sobre o novo repasse revelado pela piauí. O senador disse que o assunto deveria ser tratado com a produtora do filme.
“Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora.”
Investigações
O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up usou emendas parlamentares para bancar a produção.
Há ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, que apura um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada.